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José Mariano de Albuquerque Cavalcanti Tipo: Diccionário Bio-bibliográfico Cearense-Barão de Studart Ano: 1772

José Mariano de Albuquerque Cavalcanti - Nasceu a 20 de Maio de 1772 na fazenda Pau-cahido, da povoação e hoje cidade de Sant’Anna, e foram seus genitores o pernambucano Antonio Coelho de Albuquerque e D.a Maria da Conceição do Bomfim, natural de Sobral.

Era neto paterno de Pedro Coelho Pinto, natural de Montemor o velho, do Patriarchado de Lisboa, e de sua mulher D.a Romualda Cavalcanti, natural de Goyana em Pernambuco e neto materno de Gabriel Leitão Pacheco, natural de Recife, e de sua mulher D.a Marianna de Messias, natural de Várzea.
Foram seus irmãos Antonio, João Luiz da Sena, Ignacio Francisco, Manoel de Araujo, Gabriel Telles de Menezes e Miguel Francisco Telles de Menezes.
Transportando-se para Pernambuco onde vivia poderosa a família paterna, apezar de lhe escassear a protecção que delia esperava conseguiu as sympathias de João de Barros Lima. o Leão coroado das chronicas Pernambucanas, e a seu conselho abraçou a carreira das armas; isso levou-o a tomar parte conspícua na Revolução de 1817, que se iniciou pela morte do brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro e se estendeu a outras Províncias, o Ceará inclusive.
Vencida a revolução, foi José Mariano recolhido ás prisões do Recife e remettido no brigue Mercúrio para as da Bahia. Entre seus companheiros de infortúnio figurava o Desembargador Antonio Carlos.
Victorioso em Portugal em 1821 e no Brasil o Partido da Constituição, El-Rei D. João VI deu amnistia a todos os presos políticos, mas não aproveitando a José Mariano a amnistia porque, alem de revoltoso, accusavam-o do assassinato do Brigadeiro Manoel Joaquim, foi elle condemnado a degredo perpetuo para um dos presídios da Asia, pena que cambem não foi cumprida.
Remettido para Lisboa e logo depois perdoado graças ao valimento de amigos poderosos, voltou ao Recife e ahi foi do numero dos patriotas que concorreram para a deposição da Junta organisada com a expulsão de Luiz do Rego. Restituído á sua patente de Tenente Secretario do Regimento a que pertencia, pediu e obteve reforma.
Com a proclamação da Independência e convocada a Constituinte foi José Mariano um dos deputados, que representaram nella o Ceará e nesse posto jamais desertou das ideas e princípios liberaes.
Após a abdicação do 1.o Imperador, foi nomeado presidente do Ceará. A carta de sua nomeação traz a data de 29 de Agosto de 1831. Entregou-lhe as rédeas do governo o vice-presidente Rocha Lima a 8 de Dezembro do dito anno. Serviu-lhe de secretario o Padre Antonio Pinto de Mendonça, nomeado por acto de 16 de Dezembro.
José Mariano teve logo que enfrentar com Pinto Madeira, Vigário Antonio Manoel e seus partidários, os quaes muito animados com a victoria de Burity haviam invadido vários pontos da Província. Em pessoa foi elle dar-lhes combate, fazendo-se preceder do Major Torres a testa de grande numero de praças.
São peripécias dessa lucta fratricida a derrota dos revoltosos em Missão Velha, a fuga de Pinto Madeira e do Vigário Antonio Manoel para Jardim e posteriormente para Sousa pelo logar Porteiras, a volta de Pinto Madeira ao Crato” a chegada do general Pedro Labatut ao campo das operações, a rendição dos revoltoáos, inclusive os chefes, no logar Correntinho, e o regresso de José Mariano para Fortaleza, onde chegou a 16 de Setembro de 1832, havendo então grandes manifestações de regosijo, entre as quaes um espectáculo de gala no theatro Concórdia com a representação da tragedia Bruto, e a fundação da Sociedade Philopatria da qual foi acclamado presidente o próprio José Mariano.
Durante seu governo, que se protrahiu até 26 de Novembro de 1833, teve logar a execução do Código do Processo Criminal (Maio de 1833), foi installada a Thesouraria da Fazenda (8 de Julho de 1833) e rebentou a sedição militar de 10 de Novembro chefiada por Torres, João Antonio de Noronha, Soares Carneviva e João Pedreira.
Substituiu a José Mariano na” presidência da Província o Tenente-coronel Ignacio Correia de Vasconcellos, chegado a 23 de Novembro a bordo da Corveta Bertioga.
Em Maio de 1834 José Mariano tomou assento na Camara Temporária e encerrada ella presidiu as Províncias de S. Catharina (1835-36) e Sergipe (1837), refirando-se desta ultima por motivo da renuncia do regente Feijó.
Falleceu a 20 de Agosto de 1844 no seu sitio Guapémerim, província do Rio de Janeiro.
Casara-se duas vezes, sendo a l.a a 11 de Fevereiro de 1789 com D.a Francisca das Chagas Pessoa, filha do Capitão-mór de Sobral Manoel José do Monte, e de D.a Anna America Uchôa, e neta materna do Capitão-mór José de Xerez Furna Uchôa.
O casamento teve logar no sitio Frecheiras, na serra da Meruóca, sendo testemunhas o dito Capitão-mór Furna Uchôa e José Tavares Pessoa, e celebrante o Cura e vigário da vara da freguezia (Sobral) Padre Bazilio Francisco dos Santos.
Casou-se em segundas núpcias com D.a Cândida Rosa de Albuquerque Cavalcanti, filha de José de Barros Lima, o Leão Coroado, tendo desse leito sete filhos: D.a Mariana, que casou com um rico negociante do Rio de Janeiro, Manoel Joaquim, filho de Santa Catharina; D.a Cândida, que casou com o Dr. Sobral, medico de Minas-Geraes; D.a Maria da Conceição, casada com o Dr. Antonio Manoel de Campos Mello, que foi deputado geral por S. Paulo, presidente de Alagoas e Maranhão, e ministro da Justiça em 1848; D.a Dulce, casada com o Dr. Joaquim August) do Livramento, que foi deputado geral por S. Catharina; José, offieial da Armada; Vicente, empregado do Thesouro Nacional, e Carlos, morto na guerra do Paraguay.
Fonte:Diccionário Bio-bibliográfico Cearense-Barão de Studart.
Data de Nascimento:20/05/1772

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